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Objetivos do Blog

Roraima é um paraíso pra qualquer birdwatcher. São cerca de 806 espécies distribuídas em um território, em grande parte plano, de 225.116,10 km2, onde durante 8 meses temos sol diariamente e uma luz maravilhosa que fica mais evidente no começo e no final dos dias favorecida pelo relevo e pela latitude. A grande variedade de habitats e as extensas faixas de território pouco perturbadas pela presença humana competem para a existência em abundância de inúmeras espécies, muitas delas com poucos registros e pouco estudadas. Esse blog tem a pretensão de ser uma forma de divulgar o turismo de observação de aves nesse Estado além de fornecer algum subsídio a pesquisadores da avifauna brasileira através da publicação de fotografias com os devidos registros de localização, data e observações que forem consideradas pertinentes.

domingo, 18 de setembro de 2011

Passarinhada na Base da Serra Grande

    Passarinhada de sábado (18/09/2011) ao lado do amigo Marcelo Seixas (presidente do Fotoclube Roraima). Saímos de Boa Vista às 6:40h e percorremos o trajeto de 50 km em 1 hora e meia (porque será que passarinheiro demora tanto no caminho? rsrs). A estrada é quase toda asfaltada, em bom estado e rende boas fotos. A parte de estrada de terra tem algo em torno de 4 km e também é bem tranquila. A foto a seguir foi feita no caminho:
falcão-de-coleira
Falco femoralis

    A Serra Grande é uma das poucas formações montanhosas de Roraima, localizada no município do Cantá. Trata-se de um conjunto de serras cobertas por floresta densa, em bom estado de conservação. Possui flora e fauna expressivas, afloramentos rochosos, quedas d’água e locais com vistas panorâmicas, favorecendo a prática do ecoturismo e de esportes de aventura, como trekking, escalada em rocha, mountain bike, e outros. Há trilhas que levam a diversos pontos do alto da serra, e também circundando a área.
    O local escolhido foi uma estrada (caminho de subida pra Serra Grande) estreita formando um túnel de floresta. É um ótimo local pra se passarinhar porque o observador tem a possibilidade de ficar o tempo todo na estrada, na sombra e, ao mesmo tempo, dentro da floresta. É uma região de avifauna ainda pouco explorada e sempre rende ótimas surpresas.
    Nessa saída estreamos nossas alças elásticas para câmeras fotográficas http://www.ophir.com.br/birdwatch/ que se mostraram muito confortáveis aliviando o pescoço do incômodo das alças comuns das câmeras e dando a sensação de se estar carregando bem menos peso. 
    Como chegamos um pouco tarde, de início a mata estava silenciosa mas logo ouvimos o formigueiro-de-barriga-branca com seu canto alto e prolongado como o de um arapaçu http://www.wikiaves.com.br/222720&tm=s&t=s&s=10938 . Esse bichinho é daqueles que respondem bem ao playback, se aproxima relativamente rápido mas você não visualiza. Quem não tem experiência com essa ave pode ficar procurando no alto mas eles sempre estão no chão ou em galhos bem baixos. Foi um baile! No escuro e no chão entre os galhos, apesar de todas as estratégias que imaginamos, não me permitiu nenhum registro decente. Com o Marcelo Seixas foi um pouco mais generoso por uns 4 segundos e permitiu talvez os melhores registros fotográficos da espécie que já vi. Essa foto eu fiz numa saída anterior no mesmo local:
formigueiro-de-barriga-branca macho adulto
Myrmeciza longipes (Swainson, 1825)




     Enquanto perseguíamos o formigueiro, rapidamente cruzou sobre as nossas cabeças um bando de gralhas-da-guiana e tudo que conseguimos foi esse registro:
gralha-da-guiana
Cyanocorax cayanus 
    Como a mata continuava silenciosa, resolvemos andar um pouco mais pra tentar a sorte em outro local. Percorremos uns 200 metros e ouvi um canto que não conhecia. Consegui gravar e, logo que o reproduzi, aproximou-se uma ave que aparentava ter um topete branco, o papo preto e o resto do corpo todo cinza. Mostrou-se bem irritada com o playback e em poucos minutos permitiu alguns registros razoáves e se foi. Conferindo as fotos percebi que o que parecia ser um topete não era um topete e sim o desenho de uma larga sobrancelha pois o topo da cabeça também era cinza. Já em casa, vi que se tratava do papa-formiga-de-sobrancelha. Infelizmente não avistamos a fêmea que é bem bonitinha ( http://www.wikiaves.com.br/287342&t=s&s=10921 ) mas consegui meu primeiro registro fotográfico da espécie, a gravação do chamado, do canto e da manifestação de irritação.  É muito bom descobrir uma espécie assim e esse local sempre me propiciou essa emoção.
papa-formiga-de-sobrancelha macho adulto
Myrmoborus leucophrys 

    Enquanto ainda registrávamos o papa-formiga-de-sobrancelha percebi um canto familiar mas a princípio eu não conseguia associar a nenhuma ave. Não foi preciso, logo surgiu o tangará-falso que fez uma rápida aproximação possibilitando uma foto e em seguida reuniu-se com um grupo de uns 4 indivíduos, 2 machos cortejando uma fêmea e um jovem. Mesmo estando a uns 30 metros, pudemos ter uma amostra da dança espetacular da espécie acompanhada do canto inusitado que pronunciam nesse ritual. De quebra, no final ainda foi possível registrar um macho-jovem que se aproximou.
tangará-falso macho adulto
Chiroxiphia pareola 

tangará-falso macho jovem
Chiroxiphia 
 pareola

     Já lá pelas 11 horas, caminhando pela estrada, na copa de uma árvore alta avistamos o que parecia ser uma gralha a princípio, mas a distância e a contra-luz não permitiam a identificação. Após tentarmos algumas regulagens da câmera, quando consegui identificar, fiquei doido! Era um grupo de uns 7 indivíduos de anambé-pombo! Essa é daquelas aves que parece mentira que existem. A crista azul, em forma de pétalas de rosa ao redor do pescoço, o anel branco ao redor dos olhos como sobrancelhas postiças...tudo nessa ave parece irreal! Ficaram por um bom tempo transitando entre duas árvores altas, se alimentando de algo que não pude identificar e, apesar da distância, consegui salvar uma foto de um macho e outra da fêmea.
anambé-pombo macho adulto
Gymnoderus foetidus 




anambé-pombo fêmea adulta
Gymnoderus foetidus 

    Aí já eram 11:30h, tudo estava lindo, a vida ganha e decidimos voltar. Às 12:10h eu estava em casa ansioso pra colocar o cartão no computador rsrs. Estou feliz até agora. Eita, Amazônia!   




    Agradeço a companhia de Marcelo Seixas  (http://www.flickr.com/photos/mseixas/)

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