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Objetivos do Blog

Roraima é um paraíso pra qualquer birdwatcher. São cerca de 806 espécies distribuídas em um território, em grande parte plano, de 225.116,10 km2, onde durante 8 meses temos sol diariamente e uma luz maravilhosa que fica mais evidente no começo e no final dos dias favorecida pelo relevo e pela latitude. A grande variedade de habitats e as extensas faixas de território pouco perturbadas pela presença humana competem para a existência em abundância de inúmeras espécies, muitas delas com poucos registros e pouco estudadas. Esse blog tem a pretensão de ser uma forma de divulgar o turismo de observação de aves nesse Estado além de fornecer algum subsídio a pesquisadores da avifauna brasileira através da publicação de fotografias com os devidos registros de localização, data e observações que forem consideradas pertinentes.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Téu-téu-da-savana

Téu-téu-da-savana (Burhinus bistriatus - Wagler, 1829)

  
    O téu-téu-da-savana é uma ave charadriiforme da família Burhinidae.

    Características

    Mede 43cm de comprimento e pesa até 700g. Ave curiosa, semelhante em aparência as abetardas, do Velho Mundo. Seu nome é onomatopéico e aparentemente vocaliza apenas durante a noite, uma vez que é ave crepuscular.

    Alimentação

    Forrageia bicando no solo, presas, como pequenos roedores, lagartixas, minhocas e vermes.

    Reprodução

    Nidifica em cavidades que o casal escava no solo, chocando dois ovos.

    Hábitos

    Localmente comum, vive nos campos limpos de Boa Vista, Roraima e de áreas de campinarana do Amapá, adentra, por vezes, as monoculturas de Pinus ou em terras recém-aradas. Aproxima-se de áreas habitadas, estradas e campos de aterrissagem de aeronaves em fazendas. Quando são perseguidas, deitam no solo esticando a cabeça como as emas. Seus olhos refletem o farol dos carros na auto-estrada ao anoitecer e muitos indivíduos aparecem atropelados.

    Distribuição Geográfica

    Presente em Roraima, Amapá, norte do Amazonas e região de Belém. Expande sua área de ocorrência em direção ao Amazonas pela abertura de áreas florestadas para pastagens. Excepcionalmente, alcança as áreas ao sul do estuário do Rio Amazonas, chegando a Belém do Pará e ao estado do Ceará (dois únicos registros). Também ocorre na Venezuela, Colômbia e Guiana.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Breve Passarinhada no Tepequém em 05/10/2011

Arara-canindé (Ara ararauna - Linnaeus, 1758)
    
    O Tepequém é uma pequena vila no alto da serra do Município do Amajari, RR que foi povoada por garimpeiros de diamante na época áurea do garimpo e tem se especializado na recepção de turistas que buscam um maior contato com a natureza. Trata-se de uma região com várias cachoeiras e opções de trilhas além do aspecto histórico da evolução do garimpo no local (ruínas da vila original, pista de pouso de avião paralelamente à qual se desenvolveu a principal rua da vila atual além do contato com garimpeiros que ainda hoje buscam a sorte em garimpo de pequena escala e pouco impacto). Ao contrário do que possa parecer, no garimpo de diamante não existe a competição selvagem característica do garimpo de ouro o que acabou por constituir uma comunidade pacata e muito hospitaleira onde a violência praticamente inexiste (a polícia de Amajari raramente sobe ao Tepequém por não haver demanda de crimes no local). As pousadas da Vila são simples mas aconchegantes com ambientes que propiciam um conforto razoável e privacidade. Além dessas pousadas, um pouco afastada do povoado, existe a conhecida pousada do Sesc construída dentro da mata e que oferece opções de lazer como piscina de água natural, parquinho para as crianças, tirolesa, etc. 

caneleiro-preto
Pachyramphus polychopterus (Vieillot, 1818)
Tudo isso em meio à mata exuberante frequentada por um grande número de espécies de aves entre as quais se visualizam com relativa facilidade o japu-verde, a gralha-violácea, gaturamos, caneleiros, aracuãs e tantas outras.

gralha-violáceaCyanocorax violaceus Du Bus, 1847
    Nessa viagem saí de Boa Vista às 19h do dia 4/10 e cheguei ao Tepequém às 21:30h percorrendo pouco menos de 200 km de estrada asfaltada em bom estado. Viajei acompanhado da esposa, minha filha de 6 anos e minha enteada bióloga. No dia 5, por volta das 5:50h me levantei e fui dar uma volta no quarteirão da pousada e, em 1 hora e meia de passeio, avistei várias espécies como a guaracava-de-barriga-amarela, o sanhaçu-de-coleira, o rouxinol-do-rio-negro, periquito-de-bochecha-parda, papagaio-campeiro, ariramba-de-cauda-verde, japu, alguns beija-flores, etc. Foi nesse trecho que recentemente o Anselmo d´Affonseca fotografou o uirapuru-cigarra que fez tanto sucesso no wikiaves.


guaracava-de-barriga-amarela
Elaenia flavogaster (Thunberg, 1822)

    Às 7:30 saimos para uma pousada onde servem  a tapioca que é típica aqui no Norte e um cafe-da-manhã sem muito luxo mas bem gostosinho. De lá saímos em direção à Cachoeira do Barata (uns 3km) e no caminho  fiz a foto da ariramba-preta.  No local da parada dos carros são frequentes algumas espécies de beija-flor, o surucuá-grande-de-barriga-amarela, o tem-tem-de-dragona-vermelha, arirambas, sanhaçus, saíras e muitas outras. Às 10:30 resolvemos ir a outra cachoeira (do Paiva) que é uma grande queda d´água cercada por floresta que é visualizada de cima no local da parada dos carros. Antes passamos pela antiga Vila do Tepequém que foi quase totalmente destruída pelo tempo onde avistei a gralha-violácea e o gavião-pedrês e logo em seguida nos dirigimos à Cachoeira do Paiva onde registrei o gibão-de-couro e a saíra-amarela (ambas espécies bem diferentes das que ocorrem mais ao sul), o tem-tem-de-dragona-vermelha (macho e fêmea), bem-te-vis, sanhaçu-de-coleira, sanhaçu-da-amazônia.


surucuá-grande-de-barriga-amarela Trogon viridis Linnaeus, 1766
    Não chegamos a descer a cachoeira em função de um problema no joelho de minha esposa.


tem-tem-de-dragona-vermelha Tachyphonus phoenicius Swainson, 1838



sanhaçu-de-coleira Schistochlamys melanopis (Latham, 1790)





ariramba-preta Brachygalba lugubris (Swainson, 1838)

   Às 12:30 nos dirigimos à mesma pousada do café da manhã (Pousada da Iodete) para almoçar e em seguida fomos buscar as nossas malas na Pousada Tepequém. Na volta passamos pela Pousada do Sesc onde pedimos autorização para fazer uma visita. Passamos umas duas horas ali e, numa das poucas oportunidades em que pude ficar dentro da mata nessa viagem, me vi rodeado de espécies com poucos registros fotográficos. Fiquei sentado em uma trilha com a ansiedade de quem acaba de chegar ao céu. A dois metros de mim, um aracuã-pequeno (eu nunca tinha conseguido me aproximar dessa ave), nos galhos baixos ao lado um casal de caneleiro-preto, no chão da mata, muito próximo, o canto de um papa-formiga-de sobrancelha, um rouxinol-do-rio-negro que pensei ser um xexéu ficou muito tempo próximo...e entre outras que não registrei eis que surge um lindo casal de capitão-de-fronte-dourada


papa-formiga-de-sobrancelha Myrmoborus leucophrys (Tschudi, 1844)


capitão-de-fronte-dourada Capito auratus (Dumont, 1816)


capitão-de-fronte-dourada Capito auratus (Dumont, 1816)


    Já no caminho de volta, na descida da serra, registrei o gavião-branco, o gavião-de-anta e um casal de arara-canindé (havia muitas espalhadas em um pasto com palmeiras) além de várias outras espécies que não consegui registrar por ser o único passarinheiro empolgado do carro rsrsrs. Às 19:30 estava em casa com os bolsos cheios de passarinhos!


aracuã-pequeno Ortalis motmot (Linnaeus, 1766)
    O Tepequém é uma região muito rica em espécies, vale notar que nessa viagem passei pouquíssimo tempo buscando ativamente avistar as aves. O que registrei foi em pequenos períodos em que consegui me afastar da família ou nos caminhos da ida e da volta das cachoeiras e de Boa Vista.
    *Dica da vez: em geral há duas maneiras de se buscar avistar as aves na mata: ou vc vai de encontro ao canto, sempre caminhando, usando playback e procurando não fazer movimentos bruscos ou ruído excessivo ou você elege alguns pontos da trilha pra ficar parado esperando que os bichos se acostumem com a sua presença e se aproximem. O meu melhor momento nessa viagem foi quando me sentei na trilha num local onde avistei algumas espécies e permaneci lá por algo em torno de uma hora.

domingo, 9 de outubro de 2011

Casa Ecológica

video
    Estou postando um link copiado do facebook de Tietta Pivatto de um projeto bem interessante de residência com um espaço interno muito amplo e bem agradável. Vale a pena conferir.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Passarinhada de 25/09/2011 no Parque Caçari

    Mais uma passarinhada nesse local (veja o link) que é sempre generoso em número de aves e espécies.
    Como adquiri uma nova lente (canon 300mm fixa IS f/4) tenho procurado melhorar os meus registros antigos no que diz respeito à qualidade das imagens e mostrar outros ângulos e detalhes das aves que possuem poucos registros fotográficos.
   Por se tratar de melhorar os registros, e não simplesmente de registrar, procurei de início uma árvore seca, que não permitisse à ave ficar escondida e ao mesmo tempo que ficasse exposta ao sol. Me posicionei de costas para o sol, a uma distância não muito grande (uns 6 metros), e antes de começar a usar o playback surgiu o primeiro indivíduo, uma fêmea de pica-pau-anão-de-pescoço-branco. Nessas situações o ideal é o uso do tripé mas ainda prefiro optar pelo conforto das alças que tenho usado, que se apoiam somente nos ombros e não no pescoço. Fiz uns quatro registros dessa ave que ainda pretendo melhorar já que não consegui uma posição em que os galhos não marcassem a foto com alguma sombra.
    Tentei trazer outras aves até essa árvore com o playback mas como não estavam respondendo mudei de idéia e preferi explorar a borda da mata sempre de costas para o sol. No percurso avistei o chororó-do-rio-branco que não quis deixar o emaranhado de galhos (a foto a seguir é de uma saída anterior)
Chororó-do-rio-branco macho (Cercomacra carbonaria)
    Trata-se de um local com muitas espécies e após ter visto várias delas percebi uma outra que eu estava interessado em registrar, a choca-de-crista-preta, e consegui uma boa foto do macho com o auxílio do playback.
    Como estava dando sopa, aproveitei a boa luz pra registrar também a choca-barrada.
    E finalmente, quando já ia procurando outro local, pousou num galho alto o garrincha-dos-lhanos.
Garrincha-dos-lhanos (Campylorhynchus griseus)
     Se você ainda não ouviu, vale a pena conferir o canto dessa ave.
    Só consegui um registro pois acabou o cartão de memória e tive que ir até o carro trocá-lo. De lá, desci por uma estrada que segue em direção ao rio e já nos primeiros metros, quando ia passando sob uma árvore baixa, ouvi o joão-pinto-amarelo que estava bem próximo, sobre minha cabeça. Fiz alguns registros em condições de pouca luz mas até que ficaram bons.
    Um pouco mais adiante, enquanto procurava os cantos em meu gravador, por acidente acabei atraindo um casal de sabiá-gongá. Levei o reprodutor de áudio pra próximo de uma árvore e torci pra pousarem no topo dessa árvore. Deu certo:
Sabiá-gongá (Saltator coerulescens)
    Andando mais uns 100 metros encontrei uma fêmea da choca-de-crista-preta que também consegui registrar.
Choca-de-crista-preta (Sakesphorus canadensis)
    Fiz outros registros (caneleiro-cinzento, garrinchão-de-barriga-vermelha, amarelinho-da-amazônia) mas pretendo usá-los em alguma postagem futura. Já eram 9 horas e decidi voltar devagar procurando mais alguma coisa. Quando cheguei no carro percebi numa grande árvore próxima uma movimentação e decidi verificar. Era um casal de joão-pinto que registrei à sombra com o céu de fundo e acabou ficando um pouco escuro. Como tenho usado fotografar em RAW consegui uma recuperação razoável do arquivo. Essa ave é das que considero mais lindas na fauna brasileira e é sempre um grande prazer poder registrá-la. Seu laranja intenso que se dilui até o amarelo formando degradês ao longo do corpo, a máscara azul ao redor dos olhos em forma de triângulo no fundo preto que envolve parte da cabeça e pescoço, os olhos amarelos e todos os seu detalhes  super bem acabados associados ao canto complexo de timbre agradável nos conduzem por instantes a um plano de perfeição estética onde a contemplação e o encantamento se misturam.
João-pinto (Icterus croconotus)
    Logo abaixo de onde estava pousado o joão-pinto em uma vagem dessa árvore quase à altura de minha cabeça percebi a chegada de um picapauzinho-anão macho que não consegui registrar decentemente por estar a menos de 1,5 metros e com pouca luz. Fiz um teste sem flash procurando não espantá-lo mas voou logo em seguida não me permitindo um clic melhor.
Picapauzinho-anão (Veniliornis passerinus)
    Ainda sob essa mesma árvore, já deixando o local, fiz o registro de uma fêmea de pipira-vermelha em um pequeno bando.

Pipira-vermelha (Ramphocelus carbo)
        Às 9:45 já estava em casa na rotina de apagar fotos, escolher as melhores e editá-las pra dividir com os colegas o prazer de apreciar esses caprichos da natureza.

    Usem o link na parte superior da coluna da direita pra fazer críticas e sugestões ou o email de contato camacho@fotocluberoraima.com pra dúvidas ou esclarecimentos. Todos os comentários serão sempre bem vindos!
    
*para mais informações sobre o local acesse a postagem anterior sobre o local.

domingo, 18 de setembro de 2011

Passarinhada na Base da Serra Grande

    Passarinhada de sábado (18/09/2011) ao lado do amigo Marcelo Seixas (presidente do Fotoclube Roraima). Saímos de Boa Vista às 6:40h e percorremos o trajeto de 50 km em 1 hora e meia (porque será que passarinheiro demora tanto no caminho? rsrs). A estrada é quase toda asfaltada, em bom estado e rende boas fotos. A parte de estrada de terra tem algo em torno de 4 km e também é bem tranquila. A foto a seguir foi feita no caminho:
falcão-de-coleira
Falco femoralis

    A Serra Grande é uma das poucas formações montanhosas de Roraima, localizada no município do Cantá. Trata-se de um conjunto de serras cobertas por floresta densa, em bom estado de conservação. Possui flora e fauna expressivas, afloramentos rochosos, quedas d’água e locais com vistas panorâmicas, favorecendo a prática do ecoturismo e de esportes de aventura, como trekking, escalada em rocha, mountain bike, e outros. Há trilhas que levam a diversos pontos do alto da serra, e também circundando a área.
    O local escolhido foi uma estrada (caminho de subida pra Serra Grande) estreita formando um túnel de floresta. É um ótimo local pra se passarinhar porque o observador tem a possibilidade de ficar o tempo todo na estrada, na sombra e, ao mesmo tempo, dentro da floresta. É uma região de avifauna ainda pouco explorada e sempre rende ótimas surpresas.
    Nessa saída estreamos nossas alças elásticas para câmeras fotográficas http://www.ophir.com.br/birdwatch/ que se mostraram muito confortáveis aliviando o pescoço do incômodo das alças comuns das câmeras e dando a sensação de se estar carregando bem menos peso. 
    Como chegamos um pouco tarde, de início a mata estava silenciosa mas logo ouvimos o formigueiro-de-barriga-branca com seu canto alto e prolongado como o de um arapaçu http://www.wikiaves.com.br/222720&tm=s&t=s&s=10938 . Esse bichinho é daqueles que respondem bem ao playback, se aproxima relativamente rápido mas você não visualiza. Quem não tem experiência com essa ave pode ficar procurando no alto mas eles sempre estão no chão ou em galhos bem baixos. Foi um baile! No escuro e no chão entre os galhos, apesar de todas as estratégias que imaginamos, não me permitiu nenhum registro decente. Com o Marcelo Seixas foi um pouco mais generoso por uns 4 segundos e permitiu talvez os melhores registros fotográficos da espécie que já vi. Essa foto eu fiz numa saída anterior no mesmo local:
formigueiro-de-barriga-branca macho adulto
Myrmeciza longipes (Swainson, 1825)




     Enquanto perseguíamos o formigueiro, rapidamente cruzou sobre as nossas cabeças um bando de gralhas-da-guiana e tudo que conseguimos foi esse registro:
gralha-da-guiana
Cyanocorax cayanus 
    Como a mata continuava silenciosa, resolvemos andar um pouco mais pra tentar a sorte em outro local. Percorremos uns 200 metros e ouvi um canto que não conhecia. Consegui gravar e, logo que o reproduzi, aproximou-se uma ave que aparentava ter um topete branco, o papo preto e o resto do corpo todo cinza. Mostrou-se bem irritada com o playback e em poucos minutos permitiu alguns registros razoáves e se foi. Conferindo as fotos percebi que o que parecia ser um topete não era um topete e sim o desenho de uma larga sobrancelha pois o topo da cabeça também era cinza. Já em casa, vi que se tratava do papa-formiga-de-sobrancelha. Infelizmente não avistamos a fêmea que é bem bonitinha ( http://www.wikiaves.com.br/287342&t=s&s=10921 ) mas consegui meu primeiro registro fotográfico da espécie, a gravação do chamado, do canto e da manifestação de irritação.  É muito bom descobrir uma espécie assim e esse local sempre me propiciou essa emoção.
papa-formiga-de-sobrancelha macho adulto
Myrmoborus leucophrys 

    Enquanto ainda registrávamos o papa-formiga-de-sobrancelha percebi um canto familiar mas a princípio eu não conseguia associar a nenhuma ave. Não foi preciso, logo surgiu o tangará-falso que fez uma rápida aproximação possibilitando uma foto e em seguida reuniu-se com um grupo de uns 4 indivíduos, 2 machos cortejando uma fêmea e um jovem. Mesmo estando a uns 30 metros, pudemos ter uma amostra da dança espetacular da espécie acompanhada do canto inusitado que pronunciam nesse ritual. De quebra, no final ainda foi possível registrar um macho-jovem que se aproximou.
tangará-falso macho adulto
Chiroxiphia pareola 

tangará-falso macho jovem
Chiroxiphia 
 pareola

     Já lá pelas 11 horas, caminhando pela estrada, na copa de uma árvore alta avistamos o que parecia ser uma gralha a princípio, mas a distância e a contra-luz não permitiam a identificação. Após tentarmos algumas regulagens da câmera, quando consegui identificar, fiquei doido! Era um grupo de uns 7 indivíduos de anambé-pombo! Essa é daquelas aves que parece mentira que existem. A crista azul, em forma de pétalas de rosa ao redor do pescoço, o anel branco ao redor dos olhos como sobrancelhas postiças...tudo nessa ave parece irreal! Ficaram por um bom tempo transitando entre duas árvores altas, se alimentando de algo que não pude identificar e, apesar da distância, consegui salvar uma foto de um macho e outra da fêmea.
anambé-pombo macho adulto
Gymnoderus foetidus 




anambé-pombo fêmea adulta
Gymnoderus foetidus 

    Aí já eram 11:30h, tudo estava lindo, a vida ganha e decidimos voltar. Às 12:10h eu estava em casa ansioso pra colocar o cartão no computador rsrs. Estou feliz até agora. Eita, Amazônia!   




    Agradeço a companhia de Marcelo Seixas  (http://www.flickr.com/photos/mseixas/)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Jandaia-Sol: Novo Lar?



jandaia-amarela
Aratinga solstitialis (Linnaeus, 1766)

    A Jandaia-sol ou Jandaia-amarela (Aratinga solstitialis) é um dos mais belos psitacídeos encontrados no Brasil e está ameaçada de extinção. Possuem a plumagem das asas mais verde quando novas, com tons amarelos e de um alaranjado intenso, com penas verde-azuladas na cauda e nas asas e alaranjados distribuídos pela cabeça, peito e barriga. Distribuem-se pelo Norte de Roraima (Bonfim), Guiana Inglesa e Venezuela. Elas foram praticamente dizimadas na Guiana Inglesa, capturadas para alimentar o comércio de aves de cativeiro e os traficantes frequentemente invadem o território brasileiro em busca de novos indivíduos. 
    Em Boa Vista, já há alguns anos, curiosamente começam a aparecer populações dessa espécie cuja origem é atribuída à soltura de aves apreendidas de traficantes. Esses pequenos bandos vivem nos bairros periféricos de classe média da cidade e são frequentemente avistados fazendo ninho em postes de madeira. 

jandaia-amarela
Aratinga solstitialis (Linnaeus, 1766)
    Muito se discute a respeito dessas populações urbanas uma vez que se trata de aves que não receberam nenhum tratamento pra se submeterem a um habitat que é bem diferente de sua região original quanto à presença de alimentos, vegetação, riscos de infecção, etc. O fato é que estão presentes em nossa capital e parece que bem adaptadas. Trata-se de uma população muito susceptível à captura pois o acesso aos ninhos é relativamente fácil e a sua beleza e raridade a colocam como uma espécie muito valorizada no mercado ilegal. É preciso que se tomem medidas públicas urgentemente de conservação dessa espécie como o monitoramento dos bandos e proteção das áreas de ninhos antes que o tráfico aniquile mais essa população.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Passarinhada de 03/09/2011 em um loteamento do bairro Parque Caçari




caneleiro-cinzento
Pachyramphus rufus
    Saída de 2 horas numa manhã de sábado (dia 03/09/2011) que rendeu a observação de várias espécies e algumas boas fotos. O local escolhido foi um loteamento no Bairro Parque Caçari. Como o tempo era curto optei por um local próximo e de fácil acesso. Dessa vez, como em geral, levei playback e gravador.  Cheguei meio tarde (8 horas) e acabei me concentrando nas 4 ou 5 espécies que estavam mais disponíveis pra fotografar. A idéia inicial era fazer uma boa foto da fêmea do caneleiro-cinzento. Até então eu já havia tentado algumas vezes mas sempre consegui fotos em condições muito desfavoráveis, só pra registro. Como a femeazinha estava se comportando da mesma forma que das outras vezes, se posicionando sempre com o sol no fundo, acabei desistindo. Logo de começo, registrei o papa-formiga-pardo, o macho e a fêmea que responderam ao playback (http://www.wikiaves.com.br/62864&p=1&tm=s&t=s&s=10890) e logo perderam o interesse. Consegui algumas fotos razoáveis com uns galhinhos pelo caminho. De qualquer forma esses papa-formigas nunca dão muita chance parados e quando a gente descobre em casa que conseguiu salvar alguma foto é muito bom.



papa-formiga-pardo macho adulto
Formicivora grisea



papa-formiga-pardo fêmea adulta
Formicivora grisea
     Em seguida o garrinchão-de-barriga-vermelha (Cantorchilus leucotis) deu as caras e parecia muito curioso com o que eu estava fazendo. Praticamente me perseguiu ao longo de uma trilha, ficando sempre muito perto mas ao mesmo tempo bem escondido, evitando ao máximo o contato visual.




garrinchão-de-barriga-vermelha adulto
Cantorchilus leucotis (Lafresnaye, 1845)
     Essa ave tem a vocalização muito variada e seus cantos impressionam pela potência. http://www.wikiaves.com.br/137737&tm=s&t=s&s=11502

     Depois disso foi a vez da Ariramba-de-cauda-verde. Geralmente encontro essa ave nos arbustos próximos à trilha pousada em alguma galho seco fazendo a sua refeição. Apesar de não responder ao playback, logo a encontrei mas permitiu apenas uma foto. Esse bicho ao vivo sempre parece maior que nas fotos. Não é difícil conseguir uma foto dela com um inseto na boca, mas dessa vez não deu.
      



ariramba-de-cauda-verde fêmea adulta
Galbula galbula (Linnaeus, 1766)
 
    Outra espécie eleita do dia foi a Marianinha-amarela. Essa ave costuma ser bem fácil de se registrar porque permite uma boa aproximação. Colocar o playback pra tocar uma ou duas vezes já é o suficiente pra se ter um casal no local escolhido. Seus tons de amarelo cobrindo o fundo verde da vegetação proporciona fotos muito bonitas.




marianinha-amarela
Capsiempis flaveola (Lichtenstein, 1823)




     E pra finalizar, quando eu já ia embora contente com a saída do dia, surge, bem próxima da marianinha, a fêmea do caneleiro-cinzento que era o objetivo principal da saída. É incrível como isso se repete. Quando você desiste de uma ave porque não conseguiu situação legal pra fotografar, surge um indivíduo da espécie de mão-beijada. Fiz várias fotos da fêmea, em todas as posições, se alimentando de uma larvinha...um book praticamente rsrs.

   Esse local, um loteamento num bairro de classe média pouco povoado chamado Parque Caçari, apresenta uma grande variedade de espécies. Ainda não contabilizei o número de espécies que avistei nesse local, mas já devo ter feito uns 100 registros em 200 metros de trilha. Lá encontramos o joão-pinto-amarelo, o joão-pinto, o garrincha-dos-lhanos, o garrinchão-de-barriga-vermelha, a corruíra, o sabiá-da-praia, o sabiá-barranco, o caraxué, a pomba-amargosa, a rolinha-cinzenta e a roxa, juriti-pupu, jaçanã, socozinho, japacanim, garça-branca-grande, garça-moura, bentevizinho-de-asa-ferrugínea, bem-te-vi, bentevizinho-do-brejo, ariramba-de-cauda-verde, curió, gavião-belo, caracará-do-norte, gavião-carijó, gavião-caboclo, gavião-pedrês, acauã, anambé-branco-de-bochecha-parda, marianinha-amarela, pica-pau-anão-de-pescoço-branco, saíra-de-chapéu-preto, ferreirinho-relógio, ferreirinho-estriado, ferreirinho-da-capoeira, papa-formiga-pardo, chororó-do-rio-branco, pitiguari, figuinha-de-rabo-castanho, picapauzinho-anão, pica-pau-de-peito-pontilhado, pica-pau-de-banda-branca, amarelinho-da-amazônia, caneleiro-preto, caneleiro-cinzento, tesourinha, anu-preto, bigodinho, tiziu, estrela-do-norte, papa-capim-cinza, papa-lagarta-acanelado, urubu-preto, urubu-de-cabeça-vermelha, andorinhas, patos, papagaio-campeiro, curica, tuim-santo, periquito-de-bochecha-parda, choca-barrada, choca-de-crista-preta, bagageiro, maria-cavaleira, sabiá-gongá, cambacica, beija-flor-de-barriga-verde, gaturamo-capim, arapaçu-de-bico-branco, a juruviara, o vite-vite-de-cabeça-cinza, sanhaçu-da-amazônia, sanhaçu-coqueiro, uru-do-campo, jandaia-sol (que merecerá uma postagem à parte) entre outras espécies. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Serra do Tepequém - Aves e Diamantes

ariramba-preta
     Entre os vários destinos para os observadores de aves em Roraima, a Serra do Tepequém (município de Amajari, RR) é um dos mais sui generis, quer pelo relevo montanhoso que é raro em Roraima, quer pelo grande número de espécies raras que lá podemos encontrar. Além disso, o Tepequém é uma vila de garimpeiros de diamante que, devido à escassez dessa pedra, está aos poucos se especializando na recepção de turistas interessados no aspecto histórico da região e no ecoturismo. 
japu-verde
    Os guias estão treinados a conduzir os visitantes pelas diversas cachoeiras de água limpíssima e ao longo das montanhas mais próximas. Na própria vila e imediações são comuns as belíssimas gralhas-violáceas (Cyanocorax violaceus), o tem-tem-de-dragona-vermelha (Tachyphonus phoenicius), o rabo-branco-cinza-claro (Phaethornis augusti), a ariramba-preta (Brachygalba lugubris), araras, japus, sanhaçus, anambés, o maú (pássaro-boi) entre tantas outras aves com pouquíssimos registros publicados. O link a seguir,  nos dá uma idéia dos registros fotográficos que podemos conseguir na região embora não seja uma lista completa de ocorrência regional: http://www.wikiaves.com.br/especies.php?t=c&c=1400027 
    A Vila do Tepequém fica a aproximadamente 150km de estrada asfaltada de Boa Vista e conta com pequenas pousadas particulares e restaurantes rústicos que servem comida caseira trivial. Há também a possibilidade de se hospedar na pousada do Sesc que possui poucos apartamentos algumas casas que comportam até umas 20 pessoas com todos os utensílios de cozinha, geladeira, fogão, etc.